5 de março de 2013

Construtora investe em canteiro de obras sustentável em Alagoas

Construtoras devem gerir os resíduos sólidos produzidos nas obras (Foto: Natália Souza/G1)

No Brasil, o lixo gerado pelo setor da construção civil é responsável por cerca de 50% do volume total dos resíduos sólidos, segundo estudo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Com o grande impacto ambiental, a prática da sustentabilidade deixou de ser apenas uma “preocupação opcional” e passou a ser regulamentada no ramo.

Para obter licença para obras acima de 400 metros quadrados concedidas pelos órgãos ambientais fiscalizadores, as construtoras devem apresentar, entre outras coisas, um Programa de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) em cada projeto. A obrigatoriedade foi estabelecida em 2002, pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) através da resolução 307.

Com um canteiro de obras ecologicamente correto, onde latas de tintas usadas se transformam em lixeiras recicláveis, tampas de caixas d’água viram guarda-sóis e restos de madeira viram cercado para árvores, a construtora responsável pela obra do Conjunto Novo Jardim, localizado na Cidade Universitária, em Maceió, é um grande exemplo de que é possível ir além da prática sustentável imposta nas diretrizes do Conama.

Através da consultoria de uma empresa especializada em serviços ambientais, a construtora promove, semanalmente, palestras temáticas sobre gestão de resíduos sólidos e conscientização sobre o meio ambiente para os quase 700 funcionários da obra.

Construtoras investem em canteiros de obras sustentáveis em Alagoas (Foto: Natália Souza/G1)

De acordo com a bióloga Cynthia Diniz, 30, que é responsável pela gestão das palestras no Conjunto Novo Jardim, os encontros semanais são produtivos e o retorno pode ser observado tanto pelos funcionários, como pela construtora.

“Nosso papel é sensibilizar os operários por meio de palestras educativas e dinâmicas. Consideramos essa obra modelo, pois aqui os trabalhadores realmente levam a sério o reaproveitamento do material. Tem obra que os funcionários assistem às palestras, mas depois deixam para lá e aqui eles foram além”, completou.

Segundo Cynthia, a empresa de consultoria sugere soluções sustentáveis para os resíduos que não teriam mais utilidade e são transformados em ferramentas de trabalho ou utensílios das residências. “Muitas ideias nós pesquisamos e sugerimos, outras a própria construtora orienta e eles também contribuem compartilhando o conhecimento deles”, afirmou.

Custo-benefício

Além dos guarda-sóis de PVC, lixeiras seletivas feitas a partir de latas de tinta e cercados das árvores, os tonéis também se transformam em caqueiras e calhas para telhados das casas.

A assessora de qualidade da construtora, Kalyne Gonçalves, 19, afirma que com o reaproveitamento dos resíduos sólidos, a empresa economiza até 50% nos custos com compra de matéria-prima.

“Antes comprávamos uma placa de acrílico no formato A4 por R$ 54 e hoje, com a reutilização do PVC, compramos a R$ 15. Colocamos placas de identificação das casas ou de sinalização de velocidade permitida no residêncial e entregamos chaveiros para os proprietários e acaba sendo um diferencial”, afirmou.

Mudança no comportamento

Joís Francisco compartilha com família o aprendizado do trabalho. (Foto: Natália Souza/G1)

De acordo com Kalyne, é notável a mudança no comportamento dos funcionários após a implantação do PGRCC. “Observamos que eles chegam a tomar iniciativas próprias. Aprenderam as cores de cada lixeira seletiva, não jogam lixo no chão, ou seja, mudanças importantes no comportamento que eles acabam levando para o ambiente familiar também”, afirmou.

As lições foram absorvidas com louvor pelo chefe da central de qualidade, Joís Francisco dos Santos Filho, que já repassa o que aprende no trabalho para sua esposa e os três filhos. “Não conhecia o programa e depois das palestras começamos a fazer a separação do material reutilizável para contribuir com o meio ambiente. Até os vizinhos eu procuro orientar sobre a melhor forma de separar o lixo”, disse.

De acordo com o proprietário da empresa de consultoria ambiental, Mateus Gonzalez, apesar da fiscalização intensa dos órgãos ambientais, o estado ainda apresenta um número pequeno de construtoras que aderiram ao programa.

“Todas elaboram o programa, pois é obrigatório, mas nem todascolocam em prática. Hoje trabalhamos com 22 obras que implantaram efetivamente o PGCS, prédios e casas. Acredito que no total é um número baixo, levando em conta o total de obras que existem no estado, mas graças à cobrança dos órgãos e da própria conscientização dos proprietários das construtoras, esse número vem aumentando”, afirmou.

Geração de renda

Através de parcerias, artesão produz peças com resíduos sólidos de obras. (Foto: Natália Souza/G1)

Além de promover sustentabilidade, a obra do Conjunto Novo Jardim também gera renda e aquece a economia local. Há oito anos no mercado de produção utensilhos de plástico, o artesão Gerônimo Manoel de Oliveira, encontrou nas obras do Estado, a principal fonte de suas matérias-prima.

“Eu sofria antes para comprar a matéria-prima das fábricas, porque o custo era muito elevado. Foi quando eu fui a uma obra e vi o desperdício de material que ia para o lixo e sugeri uma parceria. Eles me doam o material e eu o transformo em produtos como guarda-sol, placas, chaveiros e vendo para as construtoras por um preço mais barato que o do mercado”, contou.

Além de sustentar a família com suas obras de arte, Gerônimo também gera renda para outras cinco de famílias de funcionários da sua empresa. De acordo com o artesão, hoje em dia ele é procurado pelas construtoras devido a sua prestação de serviços. “O tubo de PVC é mais resistente que o acrílico e meu diferencial é o acabamento dos produtos. Antes, fabricávamos 240 lixas por dia, hoje nossa capacidade é de 1100 lixas”, contou Gerônimo, que destacou ainda que suas máquinas de corte são feitas por ele mesmo.

Além dos guarda-sóis, chaveiros e placas sinalizadoras do conjunto, o negócio de Gerônimo também agrega outros tipos de produtos. “Tenho mais de 86 modelos de luminárias, e também faço lixas de pé, porta-caneta, cadeiras escolares. Tenho várias ideias na minha cabeça e é possível fazer muita coisa com o tubo de PVC”, disse.

Para Mateus Gonzalez, todos ganham com a prática sustentável, que deve virar tendência entre as construtoras. “Acho que hoje estamos conseguindo fechar um ciclo, onde a construtora economiza, pois usa menos matéria-prima e gasta menos com o transporte dos resíduos que iriam para os aterros sanitários, reduz o impacto ambiental, além de gerar renda para as pessoas que estão trabalhando e ganhando dinheiro com a reciclagem do material”, afirmou.

Fonte: G1 Alagoas

 

11 Comentários em “Construtora investe em canteiro de obras sustentável em Alagoas

Alyne
7 de março de 2013 em 16:33
alice
23 de março de 2013 em 18:34

boa noite gostaria de saber a cor do bloco a3 e quando será a vistoria desde ja agradeço a atenção.

Responder
Fernanda Vieira
25 de março de 2013 em 16:26

Olá, Alice.

A cor da Quadra A-III é Damasco e a senhora vai receber a nossa ligação agendando a data da vistoria ainda esta semana (provavelmente hoje ou amanhã).

Att,
Fernanda Vieira

Responder
Mylena Buarque
29 de março de 2013 em 20:18

Olá,
Gostaria de saber em qual módulo se encontram as construções? se já estão terminando o 2º ou o 3º. Minha casa é no módulo 4 e queria ter mais ou menos uma noção de qual módulo vcs estão terminando. Agradeço qualquer informação.

Mylena.

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Fernanda Vieira
3 de abril de 2013 em 11:03

Olá, Mylena.

No momento, estamos entregando o Módulo III. Os Módulos I e II já foram entregues, o IV e V estão em fase de acabamento.

Att,

Responder
PATRICIA GALINDO
1 de abril de 2013 em 19:03

Olá, boa noite!
Alguma previsão para a vistoria da quadra Y-III.?
Módulo 3.
Aguardo contato, sem mais…

Responder
Fernanda Vieira
3 de abril de 2013 em 11:27

Bom dia, Patricia.

Ainda não temos a data certa de entrega da sua casa, mas já iniciamos as entregas do módulo III.

Att,
Fernanda Vieira

Responder
luciene pereira
1 de abril de 2013 em 23:52

FERNANDA GOSTARIA DE SABER SE MINHA CASA É SOLTA OU JUNTA MODULO IV QUADRA M CASA 06

Responder
Fernanda Vieira
3 de abril de 2013 em 15:09

Olá, Luciene.

Sua casa será solta.

Att,

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Junior
3 de abril de 2013 em 21:10

Minha casa é no modulo 3, como estão sendo feitos as entregas? até quando vão ser entregue todas do modilo 3 ?

Agredeço pela resposta.

Responder
Fernanda Vieira
4 de abril de 2013 em 13:51

Olá, Junior.

Iniciamos a entrega do módulo III no dia 26 de Março, mas ainda não temos a data de término.

Att,

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